Pesquisar este blog

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

A HISTÓRIA DA VIDA DO PADRE ANTONIO LISBOA



O padre Antonio das Graças Lisboa foi uma figura que deixou marcada sua passagem pela “terra Tataguaçú”, se igualando aos grandes nomes da cidade. Porém, pouco se sabe sobre sua vida e sua biografia nunca foi levantada, nem para homenageá-lo (aliás, homenagens aos seus vultos e aos seus anônimos, que de alguma forma contribuíram para o engrandecimento desta terra, é uma coisa que Queimadas não sabe fazer). Raras forma as iniciativas neste sentido, eu, por exemplo, só tenho conhecimento de uma ação da professora Hilda, que tentou fazer alguma coisa com uma turma da escola Ernestão, mas não sei se o projeto foi adiante.
De sorte que, a trajetória de vida do Monsenhor Antônio Lisboa era uma realidade desconhecida para muitos queimadenses. Poucos sabiam, inclusive, que ele era natural de Teixeira - PB. Talvez porque pouca gente (ou ninguém) perguntou, porque quando perguntado ele respondeu.
Buscando dados para o meu livro “Terra Tataguaçú” (no prelo), achei na Internet uma preciosidade: a vida, religiosa, do padre Antônio Lisboa, contada por ele mesmo, a um jornalista cajazeirense.

UMAS ENTRE AS MILHARES FOTOS DE BATIZADOS REALIZADOS PELO PADRE LISBOA.


VAMOS AO MATERIAL DA REPORTAGEM:

DO SITE O BE-A-BÁ DO SERTÃO (Cajazeiras Pb)
Acesso em 28.07.2013

PINGOS QUENTES
Como serão as comemorações dos Garotos de Ouro
O Padre Antônio Lisboa da Graça foi, na verdade, um dos grandes mestres e colaboradores do Seminário Nossa Senhora da Assunção, de Cajazeiras, nos seus primeiros tempos. Ele fez parte da luta inicial de “Os Garotos de Ouro”.

Convidado a participar do livro “OS GAROTOS DE OURO”, que será lançado no próximo dia 20, às 14:00h, no auditório da Estância Termal do Brejo das Freiras, o Padre Ecônomo respondeu com muita sabedoria e lucidez, apesar dos seus oitenta e sete anos de idade.

Assim se expressou:
"Meu Caro Francisco Alves Cardoso, Paz e Bem. Sinto-me extremamente feliz em estar, nesta oportunidade, me comunicando com um ex-aluno, depois de tanto tempo de ausência. Espero que esteja feliz e vivendo sempre na paz do Senhor. Eu estou muito bem, graças a Deus. Aqui vão os dados, objeto da solicitação que me foi feita: meu depoimento, meu currículo e uma fotografia. Como jornalista que é, sabe que qualquer redação feita um tanto às pressas, carece de revisão. Convém, portanto, que seja feita nesta, antes da publicação. Com muita alegria envio-lhe o meu abraço. E, com admiração, faço votos de feliz sucesso em suas atividades de escritor, jornalista e de advogado”.

Currículo:
“Ordenei-me padre em João Pessoa, no dia 30 de novembro de 1950. Fiz todo o meu estudo de preparação para a vida eclesiástica, no Seminário da Arquidiocese.
No ano seguinte, após a minha ordenação, 1951, fui mandado para a Diocese de Cajazeiras, quando era bispo diocesano Dom Luís Mousinho do Amaral. Dom Mousinho, atendendo a um pedido do Arcerbispo da Paraíba, Dom Moisés Coelho, cedera um Padre de sua diocese para ensinar Teologia no Seminário de João Pessoa. O professor teólogo, no caso, foi o Padre Francisco Sitônio, que estava voltando de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, onde tinha ido fazer o curso de teologia. Tinha terminado o seu estudo naquele mesmo ano, 1950.
Nessa primeira ida para a Diocese de Cajazeiras, eu fiquei em Itaporanga, como cooperador na Paróquia, em que era vigário o Cônego Manuel Firmino, e como capelão do colégio das freiras. No colégio, eu ensinei religião e dei aula de português.
Depois de um ano, voltei para a Arquidiocese e, durante quatro anos, fui ser cooperador na Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem e Capelão do Colégio Nossa Senhora do Rosário das Dorotéias, em Alagoa Grande.
Ao ser inaugurado o Seminário de Cajazeiras, Dom Zacarias, que era o bispo da Diocese, precisando de alguém para ajudar nos trabalhos do Seminário, pediu à Arquidiocese um padre para suprir a necessidade do momento. E, eu que já tinha estado na Diocese, anteriormente, fui designado para ir, novamente, prestar serviço nessa Diocese. Fiquei, desta vez, trabalhando no Seminário, no lugar de ecônomo e professor de teoria musical aos alunos. Permanecia durante a semana no Seminário e, nos fins de semana, atendia no serviço da pastoral, na paróquia de São José de Piranhas, a antiga Jatobá.
Em Cajazeiras, dava também assistência nas celebrações religiosas no Colégio Nossa Senhora de Lourdes, das Dorotéias, como Capelão do Colégio.
Depois de três anos, já voltando de novo para a Arquidiocese, Dom Otávio de Aguiar, então, bispo de Campina Grande, tendo carência de Padres na Diocese, conseguiu do Arcebispo da Paraíba a minha permanência na sua Diocese, por um tempo indeterminado, e por esse motivo tive que ficar ainda fora da Arquidiocese. Fato que permaneceu e determinou que até hoje, já aposentado, eu continue fora da Arquidiocese e definitivamente esteja na Diocese de Campina Grande.
Nesta Diocese exerci praticamente todo o meu ministério sacerdotal. Fui capelão, professor de latim e de religião no Colégio Nossa Senhora da Conceição, colégio da Damas, em Campina Grande. Professor de religião no Colégio Pio XI, também, em Campina Grande. Fui vigário, 11 anos, na paróquia de Pocinhos(PB), onde fui também professor de português e francês, no Colégio Padre Galvão, desta cidade. Fui pároco, 27 anos, na Paróquia de Nossa Senhora da Guia, em Queimadas - PB.
Agora, sem mais paróquia e sem nenhum cargo, sou um paroquiano da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, Campina Grande. E como padre, sou um voluntário disponível, para ajudar ao pároco da Paróquia, nas suas atividades pastorais, naquilo que é possível”.

Depoimento:
O Padre Antônio Lisboa apresentou o seu depoimento sobre a passagem pelo Seminário Nossa Senhora da Assunção.

Eu trabalhei no Seminário de Cajazeiras já numa segunda ida minha à essa Diocese.
Antes, eu tinha estado na Diocese de Cajazeiras, na Paróquia de Itaporanga, quando era bispo Diocesano Dom Luís Mousinho do Amaral.
Na Segunda vez, era bispo Diocesano Dom Zacarias Rolim de Moura, cuja solicitação à Arquidiocese da Paraíba me fez voltar a essa Diocese e fixar minhas atividades do ministério sacerdotal no Seminário, que se inaugurava na ocasião.
Este acontecimento foi para mim um presente do céu. Encontrei, de fato, nesse campo de trabalho, um ambiente rico de lições de vida. Vi o Seminário bem organizado. Tinha o Padre Luiz Gualberto à frente da grande responsabilidade de formar padres na Diocese. Tive a graça que Deus me concedeu de conviver com ele, durante três anos, num clima de verdadeira fraternidade, de promissoras esperanças nas vocações orientadas por ele, o Padre Gualberto, que era o Reitor do Seminário. Percebia-se que exercia sua missão, de Reitor, com o senso de verdadeiro educador. Consciente do seu verdadeiro papel de formador de padres, o fazia com espírito de total doação e de muito amor à causa.
Acrescente-se a tudo isso o que se pode considerar pontos muito positivos na formação de um clero bem formado, a solicitude do Bispo Diocesano, Dom Zacarias, que não media esforços para que tudo andasse da melhor maneira possível. Era um exemplo de bom administrador, tanto no que diz respeito ao bem espiritual, quanto mesmo à gerência dos bens temporais.
Contava-se também com o bom relacionamento com os Padres da cidade, à exemplo do Mons. Abdon, cuja presença sempre amiga e acolhedora era um estímulo e uma garantia do bom êxito no trabalho que se fazia em favor dos candidatos ao sacerdócio. O Cônego Américo Maia, na época vigário da paróquia de Nossa Senhora de Fátima, sempre amigo e sempre pronto para servir.
Tudo isso, realmente, foi para mim, como modesto colaborador nas tarefas que assumi no trabalho de ajuda no setor da educação, motivo para me sentir no Seminário uma pessoa realizada e feliz”.

* Chico Cardoso é Teatrólogo e Jornalista.
Coluna transcrita do Jornal Gazeta do Alto Piranhas(Edição 347), o jornal de maior circulação na região do Alto Sertão da Paraíba.
*O texto acima serve para seu entretenimento. As opiniões expressadas neste são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam, necessariamente, as opiniões do portal O bê-á-bá do Sertão ou de qualquer afiliado ou funcionário.

Comentário(s)
Chico Cardoso, o depoimento do Padre Lisboa me fez recordar, com intensa alegria e saudade, os tempos do Seminário. Ainda me lembro dele dirigindo a velha caminhonete chevrolet ou regendo o coral com aqueles longos braços. Grande homem o Padre Lisboa. Que saudade. Um abraço, Chico.

Francisco Dantas | assis_dantas@yahoo.com.br | João Pessoa/PB
UM MOMENTO COM O PADRE LISBOA PRESIDINDO UMA CELEBRAÇÃO.


OUTROS MOMENTOS COM O PADRE:
O PADRE COM FIEIS, QUEIMADENSES, NOS SEUS ÚLTIMOS DIAS:

2 comentários:

  1. Deus,me deu uma grande e unica oportunidade,de ser criada por ele,aprendi,a ser a pessoa que sou,saudades e muito amor ,Cristo nos uniu e ele cuidou da minha familia,foi meu pai na terra,só tenho agradece a vocês por esta linda homenagem,ele merece,apesar de nunca ter gostado de se expor ,Ele era um escolhido de Deus e acima de tudo foi honesto até o final de sua vida e dedicou=se a vida espiritual até o fim;saudades e muitas lembranças foste o melhor de minha infancia;

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ranuce Veronica,foi eu que escrevi,só que saiu no msn da minha filha;

      Excluir